quarta-feira, dezembro 03, 2014

sentimentos e palavras (q)

Por vezes a vida apresenta-se de formas com as quais não conto, nem quero contar,... melhor, sem pensar que alguma vez cada dia o momento pudesse ser da maneira que está a ser... Percebo cada vez melhor o que é viver intensamente cada momento, ao partilha cada sentir com outras pessoas. Há palavras que descrevem? Talvez haja falta de palavras, e por isso a intensidade de tudo, uma vez que não é só palavras, olhares e "coisas",... mas são sentimentos, gestos e "coisas" que significam. Inclino-me para pensar que um sentimento vale mais que mil palavras, pois nem sempre o sentir se descreve em palavras,.... simplesmente se sente... e como todos os turbilhões seriam mais fáceis de "suportar" e viver se as palavras fossem ditas, ouvidas, compreendidas, meditadas e, assim se gerassem novas palavras ditas, ouvidas, compreendidas, meditadas, como um ciclo ininterrupto de tempo que partilha o que se é, o que se tem, o que se quer e o que se sente...Só sentimentos, sem imagem, porque até as imagens podem não ser descritas em palavras...

sábado, novembro 22, 2014

sentimentos e palavras (p)

Há sentimentos que mais valem ficar reservados no coração de cada um, pois se são transmitidos em palavras, podem acabar por ser mal entendidos, ou mal recebidos, ou então até ficarem em pedras,... Há palavras trocadas como penas que esvoaçam e nunca caem porque os ventos são muitos,... muito fortes,... agitados de tal modo que tudo voa,... sentimentos e palavras... 
Quando paras, ó vento? Quando deixas de ser agitado, para que a calmia consiga enraizar os sentimentos,... e quem sabe para que a bonança traga as palavras não ditas e ditas esvoaçadas... mas será importante agora ouvir as palavras ou viver os sentimentos? Guardar, com serenidade, e... Senhor,... quem sabe sonhar...

domingo, novembro 16, 2014

sentimentos e palavras (o)

O espírito vai-se enchendo de coisas e coisas,... de palavras e  palavras,... de atitudes e atitudes,... e de repente precisa de esvaziar. Uns chamam-lhe falar de si mesmo, outros dizem ser um momento para desabafar, outros ainda procuram a misericórdia e o conforto para tudo o que tem em si e precisam de "expulsar". Há alguns (para não deizer muitos) que se sentem assim: à beira da explosão e a precisar simplesmente de alguém que oiça. Que oiça sem julgar, mas que oiça sim para ajudar a discernir. Há alguns, e uns outros tantoss que é isto que procuram: um coração, um ouvido, uma amizade que esteja e fique ao lado. Mas parece ser dificil encontrar um lugar onde escabziar, onde limpar, onde confiar. Eu tenho um lugar, uma pessoa, um amigo onde me sento, me ajoelho, me deito, me encosto e me ouve e lança de novo para a vida. Mais leve, mais sereno, mais feliz.

sábado, novembro 15, 2014

"Vem tomar parte na alegria do teu senhor" (cf Mt 25,14-30)


Colocar a render os dons que o Senhor nos dá, é fazer da vida um próprio dom que dá fruto e não é uma apatia e uma fonte de energia estática. Cada um de nós, crentes, pode empenhar-se/esforçar-se em ser testemunha comprometida com o Senhor. Este compromisso não acontece de vez em quando, mas de forma ativa e permanente todos os dias.
A mulher virtuosa é que a vive diariamente os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade e do temor de Deus. Tanto a mulher como o homem são virtuosos se assim viverem dia após dia, pois ambos são/somos administradores dos bens e dons que o Senhor dá. Assim, questiono-me se vivo sempre (todos os dias) os valores do reino. Se todos os dias me esforço por viver com eles no horizontes das palavras e das ações. Mas se não vivo assim, então em que valores baseio a minha existência?
S. Mateus ao relatar a parábola dos talentos diz que há três que recebem talentos, mas dos três dois fazem-nos render, mas um guarda-o para si mesmo. O Senhor que dá os talentos é Deus e todos nós somos os servos que recebemos, mas não agimos todos da mesma maneira. O que faço com os talentos recebidos de Deus? Jesus conta esta parábola por duas razões que o evangelista nos deixa aperceber: 1. O reino de Deus é exigente e faz com que cada um se comprometa com ele; 2. Aquele que não coloca os seus talentos a render fica sem nada e sem ver o Filho do homem. Então, os bens que Jesus me deixa confiados, coloco-os a render ou guardo-os para mim mesmo? Sou dos que arriscam viver comprometidos com o Reino ou dos que se sentam e só querem ser espectadores do mesmo Reino? Sou servo que construo o mundo ou que me sento?
“Permaneçamos vigilantes e sóbrios”, escreve S. Paulo. Sejamos crentes de verdade com as atitudes de um crente e não sejamos crentes adormecidos para o mundo que já vai dormindo…
Pe Ângelo Martins

quinta-feira, outubro 16, 2014

sentimentos e palavras (n)

Há sons que acontecem e se fazem sentir no coração, tornando-se realidade nas emoções. São os sons do vento, são os sons das gotas da chuva, são os sons da voz, são os sons de folhas que caem das árvores,... são sons que se tornam emoções. Mas quais os melhores? Quais os mais emocionantes? Que som se escolhe para viver? Escolho dois: o da voz e o do silêncio. A maravilha das palavras em ambiente sereno e calmo, de palavras que são ditas e são sentidas, de palavras que são verdadeiras palavras,... são um som indescritível! O som do silêncio é o som da paz do espírito, o som da serenidade, o som do vazio que se torna cheio com os pensamentos, o som preciso para tudo,... é um som de beleza e necessidade!

sábado, outubro 04, 2014

«‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos'» (cf Mt 21,33-43)

As Palavras nem sempre são aceites por todos, pois há Palavras que são fortes porque exigem de nós uma mudança e transformação radicais. A Palavra de Deus é desafiante, pois coloca-nos dentro do Seu Amor e lança-nos ao serviço do Amor ao e no próximo. Mas a realidade é quem nem sempre cuidamos do amor que Ele tem por cada um de nós e assim se quebra a união ao Céu.
O profeta Isaías ao escrever um cântico de amor e ao utilizar a vinha como símbolo do amor, recorda ao povo de Israel, e hoje a todos nós, que somos a vinha do amor que é cuidada de forma ternurenta, carinhosa e misericordiosa pelo Pai. Mas há aqueles que não querem estar nesta vinha do amor de Deus, que querem saltar fora e quebrar a sebe. Talvez aconteça àqueles que não vivem o Amor d'Ele como um desafio de libertação do coração para o amor ao e no próximo. Claro que há atitudes que têm de ser mudadas: o orgulho, o egoísmo, a soberba, o individualismo, o comodismo ("eu estou bem assim"), entre muitas outras coisas. O encontro com Deus liberta e transforma. Quero ficar ser parte da vinha ou ficar fora da sebe?
Jesus, utiliza em parte, as imagens do profeta. Nesta segunda parábola dirigida aos líderes judaicos é claro que o proprietário é Deus Pai e que a vinha é o mundo inteiro, mas os vnhateiros são os que se acham os melhores e donos do que não é seu, e os servos que vão à vinha à procura dos frutos são os profetas que são maltratados e perseguidos, mesmo fazendo parte da vinha criada e cuidada primeiro por Deus Pai e depois pelos homens. Deus Pai envia o Seu Filho, que também é maltratado e morto pelos líderes, mas fora da vinha (fora dos muros de Jerusalém). Eles rejeitaram porque não se deixaram envolver pelo cuidado/pelo amor do Pai. Hoje nós aceitamos o Amor d'Ele? Damos frutos no mundo (que é a vinha) que Ele nos entregou ao cuidado? Que frutos saem de mim/de nós para fora? Sou bom? Sou ternutento? Sou carinhoso? Sou tolerante? Sou respeitador? Sou bom estudante? Sou bom trabalhador? Sou bom familiar? Sou bom amigo? Sou amoroso? Sou pessoa? 
Mesmo rejeitado o amor de Deus (Jesus) por uns Ele é pedra angular para muitos outros. É para mim/ti?
S. Paulo ao Filipenses insiste para que as inquietações não sejam a preocupação da vida, desafiando-nos a aprsentarmos a oração dian
te de Deus, olhando a realidade com pureza e não com outros olhos, pois assim o Deus da paz estará sempre connosco.

sábado, setembro 13, 2014

"Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele" (cf Jo 3,13-17)

Somos convidados a contemplar a Cruz de Jesus e a exaltar o imenso Amor da doação do Senhor por cada um de nós. Olhar a Cruz não é olhar a dor e a morte, mas o infinito Amor de Jesus e da vida dada para a Salvação. As questões residem: quero/queres ser salvo? Esforço-me/esforças-te para seguir o caminho do Senhor?

Há muitos sinais no mundo antigo e atual que simbolizam a vida, a cura e o amor. O livro dos Números apresenta a serpente de bronze colocada numa vara como símbolo de cura, mas também do amor, da misericórdia e da bondade de Deus. A impaciência humana faz com se digam, pensem e façam coisas inimagináveis que podem ser contra o Senhor e ferir o próximo. Quando isto acontece é claro que as consequências são desastrosas, pois a impaciência é inimiga da paciência. O Povo de Isarel irou-se contra Moisés e contra Deus. Teve a consequência da ira, mas ao reconhecer o seu mau proceder teve também a cura, a bondade, o amor e a misericórdia do Senhor. Como somos no nosso caminho espiritual? Fazemo-lo? Analisamos os passos que damos todos os dias? Encontramos a serpente de bronze (o Senhor) como Salvação ou só olhamos como descoberta de uma coisa que dá o que é preciso quando se pede?

Olhar e ouvir Jesus é contemplar o Amor perfeito. O mesmo Jesus que diz que será elevado como a serpente de bronze. Mas, claramente, a elevação de Jesus não é um objeto, mas um sinal concreto que é testemunho de amor por todos. Pelos do seu tempo e por nós que vivemos neste tempo. Até que ponto estou eu/estamos nós dispostos a fazer como Jesus? A dar a vida por amor e por vontade do Pai? Na conversa entre Jesus e Nicodemos, encontra-se a chave da exaltação da Santa Cruz: exaltar a cruz é exaltar o Amor. Que resposta dou/damos hoje a Jesus? Dou-me por amor sem medida? Estando a salvação em Jesus, acredtio n'Ele? Faço como Ele? "Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele". Eu quero ser salvo por Ele e tu?

As palavras da Carta aos Filipenses (Filip 2,6-11) são uma exaltação para Jesus. Eu vou fazer em silêncio exterior uma exaltação a Jesus com as minhas palavras. Faz tu também,... fazes?

sábado, setembro 06, 2014

"onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles" (cf Mt 18,15-20)

A dificuldade de estarmos juntos em, nome do Senhor e de fazer tudo em Seu nome é grande. O Senhor está no meio de nós, mas por vezes não parece que se "expulsa" sistemáticamente!... A responsabilidadeindividual face a
o que é a própria vida e a vida que rodeia, está intrinsecamente implicado no ser discípulo de Jesus. Cada vez que se cruzam os braços ou se quer "fugir" a isto, está-e a "expulsar" o Senhor da vida.

Sendo o profeta Ezequiel chamado o "profeta da esperança", a sua maneira de agir é a de sentinela atenta e a de boca do Senhor, uma vez que não se deixa intimidar pelas circunstâncias sociais da época (exílio na Babilónia) mas dá a conhecer a vontade do Senhor, preparando o coração do povo para receber a mesma. Se ser sentinela define a imagem de profeta, não nos podemos esquecer que hoje nós somos profetas (em virtude do Batismo) e que somos as sentinela do hoje e do amanhã. Sentinelas que escutam a Palavra, que vivem a Palavra e que agem diariamente segundo a Palavra. Ezequiel manteve a esperança da unidade do povo ao Senhor através do modo como anunciava, denúnciava e colocava os projetos de Deus em primeiro lugar. E eu? E nós? Hoje somos assim?

Jesus ensina os discípulos a "ir". Não ficar de braços cruzados e com as mágoas no coração, mas a sair do que é comodo e dito "normal" e ir ao encontro do irmão. Somos ofendidos e então que fazer? o fácil é ficar e revoltar. A novidade é ir e dialogar. Não é fácil esta atitude proposta por jesus, mas é simples. As palavras de Jesus nesta passagem do Evangelho de S. Mateus são chamadas de "discurso eclesial", ou seja, são palavras para aprendermos uma maneira de ser verdadeira comunidade do Senhor. É preciso dialogar com o próximo. Não chega? Dialogamos uns com os outros. Não chega? Dialogamos com a comunidade. Não chega? sentamos-nos e na oração haverá de se encontrar um caminho. Sentar em oração não é ficar parado, mas é unir a vida ao Senhor. Somos Igreja de santos e pacadores, onde ambos caminham lado a lado, onde nenhum pode ser expulso, porque ambos desejam caminhar com o senhor no meio do coração. Então, por vezes pode ser preciso dialogar com mais gente. Não coscuvilhar, mas dialogar com verdade e sinceridade. è preciso tratarmo-nso uns aos outros com caridade e bom senso.

Diz S. Paulo aos Romanos: "Não devais... a não ser o amor de uns para com os outros". Se descobrirmos esta dívida não a deixemos, mas agarremo-la com as mãos, os pés, o coração e o espírito. Queres ter Jesus no meio de nós ou "expulsá-lo"?

sábado, agosto 16, 2014

«Mulher, e grande a tua fé. Faça-se como desejas» cf Mt 15,21-28

A fé é dom de Deus. Cada pode receber este dom de coração aberto e fazer dele um caminho na própria vida. Um caminho onde se avança sempre e nunca se desiste, mesmo com as adversidades e tempestades que ocorrem no dia-a-dia. Assim, A Palavra de Deus é sempre uma continua novidade cada vez que nos lembra que a Salvação é universal, ou seja, estende-se a todos os homens e mulheres, independetemente das suas diferenças. Talvez aconteça que por falta de universalidade no coração da humanidade, não se respeite o próximo, não se pratique a justiça e, consequentemente, não se tenha um coração enorme de amor/comunhão.

O profeta Isaías ao dar a conhecer a maneira sem esperança, angustiada e derrotada como o povo de Isarel vivia no regresso a Jerusalém, lança-nos na aventura de descobrirmos que as reconstruções da vida demoram o seu tempo, e que é preciso acolher tudo e todos na reconstrução da mesma vida. Eu sem o outro não sou ninguém. Sem pessoas na minha vida, sejam elas de onde forem, não vivo. Esta mensagem do profeta Isaías ao povo baseava-se na reflexão que o mesmo fazia para concluir quem poderia fazer parte deles. Todos fazem parte do coração de Deus e todos formamos um só povo que caminha junto. Talvez, por vezes, entre irmãos e irmãs sejamos demasiado ameaçadores e isto não conduz à unidade.

Jesus ao dialogar com a mulher cananeia, prova a sua fé e dá a conhecer o modo ridículo como alguns do seu tempo se separavam em "castas". No esforço, na insistência, na perseverança da mulher, encontra-se o verdadeiro crente: aquele que acolhe os dons de Deus e aquele que procura descobrir a contade do Senhor na sua vida. A mulher (mesmo estrangeira ao povo judeu) acolheu o Senhor, e procurou o caminho do Senhor na sua vida. Não só lhe valeu o elogio da fé, mas a cura da filha. Pensando em nós mesmos, nas nossas famílias, na nossa paróquia: acolho e sou acolhido? procuro e ajudo na procura? Sou cristão que vive a fé ou cristão que me sirvo da fé?

sábado, agosto 09, 2014

«Tende confiança. Sou Eu. Não temais» (cf Mt 14,22-33)

Confiar... Confiar em Deus,... Confiar nos que nos rodeiam,... Qualquer relação tem por base a confiança, mas quando esta confiança vacila, tudo parace desmoronar e afundar. Sabemo-lo pela experiência que temos na relação uns com os outros, mas que não acontece na relação com Deus, pois aqueles que confiam no Senhor (com todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento) sentem e dão conta da Sua Mão esticada para levantar.
Porque o Senhor está sempre presente (certeza que vem da fé) será interessante que cada um lembre o ponto inicial do seu encontro com O senhor, ou seja, o momento em que o sentiu pela primeira vez. O profeta Elias, depois de ter tantos contra ele, volta ao Monte Horeb (ou Sinai) e dá-se conta da revelação de Deus a si como uma doce brisa. Elias não encontra o Senhor na rajada de vento, no terramoto ou no fogo, mas numa "ligeira brisa". Na tranquilidade, na simplicidade, na interioridade encontra-se a presença do Senhor. Talvez em muitos corações não haja a tranquilidade para se dar conta do senhor. Talvez hajam coraçoes demasiadamente cheios de coisas que não são as boas. Talvez haja palavras, gestos e sentimentos em nós que não dão espaço para que o Senhor se revele em nós. então será que consigo sentir, em primeiro lugar, a sua "ligeira brisa"?
O Senhor revela-se na ligeira brisa, mas também na tempestade que é a própria vida e na qual o reconhecemos ou não,... no meio da qual confiamos na Sua mão ou não,... no meio da qual ouvimos a Sua voz ou não... Pedro lançou-se na aventura de confiar plenamente no Senhor, mas no meio do caminho deixou que as tempestades da vida fossem mais forte e, por isso, vacilou. Mas Pedro, na aventura da confiança, não se deixou afundar porque aceitou a mão de Jesus. Como sou eu? Como somos nós? Homens e mulheres de pouca fé? Homens e mulheres cheios de dúvidas? Talvez tenhamos de, como Pedro, entrar mais na aventura da confiança para alcançar a fé dos discípulos: "Tu és verdadeiramente o Filho de Deus".
Eu quero avançar nesta aventura de confiar e de voltar sempre a sentir a "ligeira brisa" no meu rosto. Tu queres?

sábado, julho 12, 2014

"E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto" (cf Mt 13,1-23)

Qual a real importância que a Palavra de Deus tem na minha vida? Qual a forma como ele é acolhida no meu coração? Importo-me com o que o Senhor me diz na Sua Palavra? Que tipo de coração é o meu? São estas algumas das interrogações que me surgem diante das leituras deste XV Domingo. 

O Senhor fafala através do profeta Isaías que no tempo do exílio (já no seu final) dá conta que o coração das pessoas do povo põe em questão o Senhor: cumprirá a Sua Palavra? Quando na vida parece que nada tem resposta para os anseios do coração, nem mesmo a palavra de Deus, é recorrente duvidar de tudo. Por isso o Senhor diz que tal como a chuva e a neve quando caem cumprem a "sua missão", também a Palavra de Deus quando cai no coração e na vida da humanidade cumpre a sua missão, pois a gratuidade do amor de Deus não é um segundo plano, mas tem o papel principal na vida de muitos. Assim, hoje e sempre cabe refletir sobre a forma como eu/nós escutamos a Palavra de Deus? Com esperança, anseio e confiança, ou como um paracetamol, antinflamatório ou simples antibiótico para as questões da vida? Não usaremos demasiadas vezes o Senhor e a Sua Palavra para o que convém, deixando de lado a realziação da mesma na vida quotidiana?

Jesus falava do Reino através de parábolas para que mais gente o compreendesse, mas muitos ficariam maravilhados com elas, mas não entravam na profundidade do seu mistério. Só o que tem um coração aberto e disponível consegue compreender o Senhor e aceitar o desafio de viver com o Seu coração. assim, Jesus conta que o semeador lança as dementes, mas algumas caem à beira do caminho, outras no meio de pedras, outras sufocam-se pelos espinhos e algumas em boa terra. O resultado é simples: uns deixam que as aves (que são o maligno) levem a semente e estes são os corações duros, porque são pisados no caminho; outros, como não têm muito espaço para onde crescer as raízes, são os corações inconstantes que se animam depressa, mas que não crescem; outros, como se deixam sufocar pelas coisas do mundo, sufocam a semente e são os corações materialistas; mas também há os corações bons e disponíveis que são os que ouvem, aceitam e vivem segundo a Palavra, produzindo bons frutos. Qual é o meu/teu coração?

sábado, maio 24, 2014

"Não vos deixarei órfãos" (cf João 14,15-21)

É bom saber que não se está sozinho e sentir na presença amorosa, confortante e próxima de quem nos ama. O Senhor é o primeiro a amar-nos e a não nos deixar sozinhos pelos caminhos da vida. Mesmo que se pense: "Ninguém se interessa por mim,... ninguém me compreende,... ninguém me ouve,..." o Senhor está presente com o seu amor e a sua amizade. Como se sabe? Ele mesmo o diz: darei "outro Defensor... o Espírito da Verdade... Não vos deixarei órfãos".

Para chegar à compreensão da presença do Espírito temos de aderir e acolher a Palavra: Jesus. Filipe, depois da perseguição iniciada aos cristãos em Jerusalém, lutou e foi para a Samaria pregar a Palavra. Muitos milagres lá aconteceram em nome de Jesus. Muitos aderiram. Pedro e João ao ouvirem as maravilhas que estavam a acontecer foram até para que os novos cristãos fossem confirmados na fé, recebendo o dom do Espírito Santo. De algo superficial, os cristãos da Samaria passavam agora para algo mais concreto e assumido plenamente na vida: um compromisso selado pelo Espírito. Este compromisso que a todos fez (e faz) membros da Igreja. Mas será que hoje, apesar das perseguições, dos dedos que nos apontam, das palavras que possam dizer de nós, dos medos que possamos ter, temos a coragem e o ânimo de Filipe para continuar a evangelizar? Somos Igreja que evangeliza sem medo ou Igreja que se refúgia dentro de si mesma?

Pois se Jesus diz: "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos", haverá alguém que não quer guardar em si mesmo este mandamento de amar? Amar Jesus! Amar Jesus não é amar o invisível, mas amar a certeza da Sua presença no meio de nós através do Espírito da Verdade.Na medida em que aceitamos os mandamentos do Senhor Jesus, ama-mo-l'O. Mas se não aceitamos, falhamos ao amor. Aceitar os mandamentos é ouvi-los, senti-los e agi-los. Assim Jesus torna-se presente porque aderimos a Ele e o Espírito está em nós, porque o Seu Amor está em nós. Mas o que prevalece na vida: o pessimismo ou o otimismo? As lamentações ou o entusiasmo? Somos Igreja de amor que testemunha o amor e que respira o amor? Ou, como dizia o Papa no dia 18 de Maio 2014, uma Igreja que só coscuvilha, é ciumenta e invejosa?

"Venerai Cristo nos vossos corações", dando as razões da esperança pois na vida "mais vale padecer por fazer o bem" do que o inverso. O certo é que por vezes se trocam as prioridades na vida e veneramos outras coisas, não damos o testemunho da nossa fé e só queremos esquivar-nos para não sofrer consequências que doam. Eu sinto-me acompanhado por Deus, não me sinto órfão, porque Ele me ama e sinto o Seu amor em todos os que me amam e também naqueles que são obstáculos. E tu? 

sábado, maio 17, 2014

"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" cf Jo 14, 1-12

Seguir Jesus é uma proposta do mesmo, que não é só um deambular pela vida, mas será o assumir da vida, dos gestos e da bondade d'Ele. Esta proposta de Jesus surge aos discípulos no meio da Ceia. Do Senhor vem a paz para o coração: "Não se perturbe o vosso coração". D'Ele surge a certeza de que a entrada na "casa do Pai" não se faz por um mero deambular pela vida, mas acontece na medida em que olharmos Jesus nos olhos para chegarmos à visão do Céu. As palavras escritas pelo apóstolo João, são de uma intensidade que só se compreendem na medida em que se me empenho em permanecer em Jesus. Fora d'Ele não se compreende, não se vive e nem se faz o caminho para o Céu.

A Igreja é Igreja quando dialoga e quando todos participam no serviço da Palavra e aos irmãos. Os apóstolos, ouvindo os cristãos, não assumem uma mera posição de autoritarismo, mas de escuta, diálogo e serviço para o maior bem da Igreja. Assim, decidiram empenhar-se no serviço da Palavra e, do meio da Igreja, escolher sete homens que estivessem mais disponíveis para o serviço aos mais necessitados. Assim, torna-se claro que a Igreja não vive de uma mera experiência de cúpula, mas vive das experiências quotidianas dos cristãos e, em diálogo, dá resposta aos anseios e angústias de todos os seus irmãos. Mas será que hoje também somos assim uma Igreja empenhada e aberta à participação de todos? Aceitamos o Espírito e deixamo-nos animar por Ele?

Assim, aproxime-mo-nos do Senhor, como desafia Pedro. Edifiquemos as nossas vidas sobre a pedra viva que é Jesus. Mesmo sendo rejeitado por uns, muitos somos os que aceitamos edificar a vida sobre Ele, pois só Ele é Caminho, Verdade e Vida. Percorramos o caminho de Jesus, seguindo os Seus passos e empenhando-nos em ser mais Igreja!

quarta-feira, maio 07, 2014

sentimentos e palavras (m)

Nem tudo se consegue exprimir por sentimentos visíveis e nem tudo se consegue exprimir por palavras que podem ser verbalizadas. Há muitas "coisas" que permanecem na sombra de sentimentos e palavras que são vivos, mas que vivem na sombra para não ferir pensamentos e não causar turbilhões de revolta em outros pensares. Há "coisas" e "coisas"... uma ficam na sombra e outras são assumidas e vividas. Mas só permanecendo na luz é que a verdade se vê e se vive. Todas estas palavras escritas fazem-me recordar palavras de Jesus, o Cristo, que desafia a viver na luz, pois quanto mais se está na sombra (nas trevas) menos se vive e caminha na verdade. Ser luz... Brilhar... Alumiar... só conTigo Senhor, se consegue tal proeza. Nas Tuas mãos, não quero estar na sombra mas mostrar a Tua Luz de vida e verdade: o Amor!

sábado, março 29, 2014

«sou a luz do mundo» (cf Jo 9,1-41)

Estar alegres na Luz é conseguir colocar a esperança em Cristo que é a Luz do mundo. Quantas são vezes eu me perco nas trevas e não me esforço por encontrar a Luz? Quantas são vezes a Luz está à minha frente e eu me desvio dela? Quantas são as vezes que estou imerso em mim mesmo e não me dou ao próximo?

Samuel é enviado por Deus a ungir David como Rei. O profeta, ao chegar, vai-se dirigindo a cada um dos filhos de Jessé, pela aparência deles. O Senhor diz-lhe que não é nenhum deles, mas o outro que não estava ali, o mais novo que estava a guardar os rebanhos. Deus escolhe pelo coração e não pela aparência. Deus escolhe pela sua vontade e não pela vontade humana. Nós quando nos vemos uns aos outros, como o fazemos?

S. Paulo, na carta ao Efésios, deixa-nos o claro desafio de vivermos como filhos de Deus: "vivei como filhos da luz". Os filhos da luz dão frutos bons: bondade, a justiça e a verdade. esta exortação de S. Paulo é para todos os batizados. É para mim e para todos nós, filhos de Deus. Mas vivemos como filhos da luz ou como filhos das trevas? 

Jesus ao caminhar encontra no percurso um cego de nascença. "Eu sou a luz do mundo". A este cego restitui-lhe a visão, ungindo-o com saliva e terra, mas desafia-o a que o mesmo faça também um percurso para que fique limpo e veja a luz com clareza (até á piscina de Siloé). O Senhor toca-nos e incentiva-nos a caminhar, ou seja, a fazer o percurso de fé. Depois, são os amigos, conhecidos e fariseus que falam da sua visão. Dão-se conta de que Ele vê, mas recusam-se a "abraçar" e aderir à Luz que lhe deu a luz. Acontece isto também na nossa vida: o Senhor toca-nos, nós fazemos o caminho, damos a conhecer o caminho que fazemos até à Luz, mas uns aceitam vê-la, mas outros recusam vê-la.

Como batizado sou testemunho vivo de Jesus que me toca e através de mim quer continuar a tocar os outros com a luz da bondade, da justiça e da verdade?

sábado, março 08, 2014

"Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (cf Mt 4,1-11)

Estamos a viver a Quaresma. Tempo de reflexão interior e tempo de "purificar" a vida, nas palavras, ações e opções que são tomadas. Será a Quaresma um tempo de tristeza? Não. É um tempo de renovação,... de conversão! a vivência da palavra conversão deixa a sua marca para esta semana da Quaresma: é preciso colocar o Senhor no centro da vida e deixar que a Sua Palavra ilumine a existência.

Lembra-nos o Livro do Génesis, uma catequese maravilhosa sobre a criação. O Senhor cira-nos por amor, moldando-nos e dando-nos a vida. O mesmo Senhor quer preservar a vida do homem e da mulher da preocupação pelas opções entre o bem e o mal, mas sabemos como é difícil fazer a escolha e, por vezes, acaba-se por escolher o caminho errado. Assim, lembra-se que o Senhor é o Criador e que eu/nós posso/podemos não escolher o caminho da sedução da opção pelo poder absoluto. Quando se renúncia ao amor do Criador, aceita-se o caminho do mal.

Por isso, podemos aceitar o desafio de tornar a colocar a vida e o olhar em Jesus Cristo, pois Ele é o sinal da unidade, da justiça e da possibilidade de caminhar na bondade e no amor. Fica a interrogação interpelativa: o que posso/podemos fazer para colocar o Senhor no centro da vida dos homens e mulheres do nosso tempo?

Deixar-me/nos iluminar pelas renúncias de Jesus às tentações do materialismo, do êxito fácil e do espetáculo, do poder e do domínio. Esta é uma das etapas do caminho que posso/podemos seguir nesta Quaresma. Ouvir, ler e escutar a Sagrada Escritura que é a Palavra de Deus, recusando a tentação de prescindir do Amor do Pai na vida, pois "nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus". Fica uma outra interpelação: o que é prioritário na vida: as propostas do caminho do Senhor ou os projetos pessoais que O excluem?

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

simplesmente...

Sempre que o quotidiano da vida parece ser uma certeza, lá vem um "vento" que abala e faz da certeza incerteza... É bom? É mau? É simplesmente a surpresa maravilhosa que é a vida, para a qual não se está preparado, mas com a qual se vive sempre que aparece. Há algumas surpresas que tendem a ser um abalo para as decisões que se têm de tomar, mas que nem sempre acontecem com a simplicidade de outras. Alguém conversa comigo sobre as várias "surpresas" que a vida lhe tem trazido. Não as considera boas nem más, simplesmente as aceita e vive. Parece simples! Mas há surpresas na vida que põem em perspetiva o que se faz e o que se pode vir a fazer, diz outro alguém.
Penso que as "surpresas" da vida é quando acontecem naturalmente, são uma aceitação simples que acontece, mas quando são fruto da bondade e generosidade de alguém já são diferentes. Diferentes porque ou são genuínas ou são "interesse". Seria bom que não houvesse interesse no bem, na generosidade e, acima de tudo, na forma de amar. Seria bom que cada vez mais eu/nós conseguisse/mos deixar a maldade cair por terra...

sábado, fevereiro 08, 2014

«deve brilhar a vossa luz diante dos homens» (cf Mt 5, 13-16)


Eu, como cristão, não me posso esquecer (nunca) que estou comprometido com Cristo e, consequentemente com o mundo que me rodeia e envolve. Nos mil e um afazeres do dia-a-dia pode acontecer que passe a segundo plano o caminho que Jesus, a Luz e o Sal, me propõe, mas devo fazer o esforço para me recordar dele.
Isaías, em três simples verbos, recorda como é simples ser-se uma luz no meio em que se vive: repartir, dar e levar. O profeta escreve sobre o repartir o pão, o dar abrigo e o levar roupa, que são tudo gestos/ações de caridade para com o próximo. Refletindo profundamente nestas três ações, consigo fazê-lo na minha vida quotidiana? Reparto? Dou? Levo? O profeta refere implicitamente nesta passagem que não basta fazer um ritual, é preciso dar-lhe vida e fazer dele um sinal de vida, ou seja, Isaías escreve sobre o jejum que só faz sentido se tiver como consequência pratica a partilha com os mais pobres e não um mero ritualismo. Assim, reflito: como posso ser uma luz no mundo onde vivo se por vezes não consigo fazer do rito uma prática de vida (uma ação com sentido)?
Jesus, na sequência do sermão da montanha, continua a dizer que os discípulos são sal e são luz: “Vós sois sal da terra”,… “vós sois luz do mundo”,… para que serve o sal senão para dar sabor e conservar e a luz para iluminar? Então com este desafio de Jesus, será que eu/nós dou/damos sabor à vida? Sou/somos sabor da vida? Preservo/amos a vida? Na medida em que vivemos as bem-aventuranças somos luz no mundo. Somos caminho de luz? Quem nos vê, vê a Luz? E isto leva a uma reflexão séria e profunda enquanto católico, enquanto Igreja: assumo o meu compromisso de membro da comunidade, de discípulo de Cristo, de apóstolo? Sou exemplo e caminho ou não? A minha vida dá sentido á vida ou perde-se no meio de banalidades?

Por fim, é Paulo que se apresenta na sua dupla condição de: evangelizador e de homem. Que fala e prega não com sabedoria humana, mas na manifestação do Espírito Santo!. Talvez tenha/mos de deixar que seja o Espírito a atuar mais em nós e para isso: «deve brilhar a “nossa” luz diante dos homens».

quinta-feira, janeiro 23, 2014

sentimentos e palavras (l)

A incompreensão pelos comportamentos do ser humano deixam-me boquiaberto. pelas minhas atitudes e pelas atitudes de outros. No fim deste dia estou a pensar em mim e nos outros. Estou a pensar no que disse, no que fiz,... no que não disse e no que não fiz,... no que podia ter dito e no que podia ter feito,... Estou a pensar no que me disseram e no que fizeram,... no que não me disseram e olharam,... no que não me fizeram e acenaram para fazer,... e no que ficou por dizer e fazer,... Estou a pensar simplesmente se eu coloquei Jesus em mim como devia ou se o deixei de fora. Neste exame de consciência dou conta que uma vezes sim e outras não,... mais mais vezes não do que sim,... Que chatice, penso agora!... Tenho de esforçar-me mais! Amanhã? Não! Já.
Quero ser mais Tua imagem,...
Teu sorriso,...
Teu rosto,...
Tua alegria,...
Tuas mãos,...
Teus pés,...
Quero que outros Te vejam em Mim e que outros sejam Tu! 
Quero não porque eu quero mas porque Tu queres!
São os sentimentos e as palavras de agora, que espero reler daqui a pouco e amanhã de manhã para continuar com os mesmos sentimentos e palavras de me esforçar já!

sábado, janeiro 11, 2014

"Este é o meu Filho muito amado" (cf Mt 3,13-17)

O Batismo revela Jesus como Filho amado do Pai e revela-nos a nós como filhos amados do Pai. Sendo o Batismo uma revelação da filiação divina e da nossa filiação, transpareço-a/transparece-mo-la  no testemunho que dou/damos da fé? Não basta ser-se batizado, é preciso sê-lo e testemunhá-lo na vida.
O profeta Isaías lembra que o Senhor chama, toma pela mão e nos forma, enviando em missão, ou seja, Ele não nos cria e abandona, mas acompanha com a sua presença na nossa vida, no dia-a-dia. A sua presença é mais visível e real quanto maior for o meu esforço pessoal por fazer com que a minha forma de estar e de ser transforme a realidade que me envolve. Deus atua através de mim/através de nós. Enquanto batizado sou escolhido/eleito, mas sou digno da sua confiança?
Mas lembrar o meu/nosso batismo faz fazer a viagem até ao batismo de Jesus. Ele que quis ser batizado como todos os outros eram batizados por João Batista (o primo): "Deixa por agora". João Batista fazia uma pregação de conversão de vida, pois é preciso constantemente rever e emendar "pontas soltas" do nosso ser. Esta conversão pregada e assumida por João Batista era acompanhada por um rito de purificação na água, acontecendo assim o batismo. Jesus passa por este momento, não porque precisava de conversão nem de purificação, mas para mostrar a sua identificação com a nossa humanidade. Por isso se abrem os céus (une-se o céu à terra), desce a pomba (desce o Espírito Santo) e ouve-se a Voz do Pai ("Este é o Meu Filho muito amado").  Este é o nosso batismo hoje: conversão, pureza, união aos céus do Espírito e de filhos amados do Pai. Lembramo-nos de que ser batizados é ser Filhos de Deus? a vontade do meu/nosso Pai é importante para mim/nós?
Pedro lembra ainda no livro dos Atos dos Apóstolos que Deus não faz aceção de pessoas e que Jesus, o ungido passou fazendo o bem. Isto também me faz refletir: E eu? Faço distinção? Faço o bem como jesus fez o bem?

sábado, janeiro 04, 2014

Sou a Igreja da Fraternidade?

O Papa Francisco escreveu sobre a fraternidade na mensagem para o Dia Mundial da Paz (01 de Janeiro). Partindo de uma das partes da sua mensagem: “Cristo abraça todo o ser humano e deseja que ninguém se perca”, cada um pode pensar no modo como tem abraçado o seu próximo e no esforço que tem feito para ser verdadeiramente fraterno. A sociedade atual já está demasiadamente fraturada pela falta de respeito, compreensão, ganância, egoísmo, desconfiança, despotismo, entre tantas outras coisas que só conduzem à habitação da maldade no seio da vida humana, para que nós, Igreja, continuemos a dar o nosso contributo para isso.
Assim, convém parar e refletir um pouco, enquanto cristãos católicos, na maneira como temos sido verdadeiramente fraternos: irmãos uns dos outros. Não basta dizer que se é, é preciso sê-lo de facto. Parece, por vezes, que alguns de nós, Igreja, somos muito pouco verdadeiros irmãos, pois só sabemos falar mal uns dos outros, criticar a vida alheia, desconstruir o que outros constroem, dividir o que outros tentam unir, edificar paredes onde elas nunca existiram,… parece que se opta pelo caminho mais fácil de dizer o mal do que potenciar o bem,… parece que a correção fraterna de que nos fala o livro dos Atos dos Apóstolos, pela qual eram conhecidos os primeiros cristãos, não acontece como fraternidade, mas como divisão, discórdia e maledicência.  Que se está a passar? De quem é a culpa? Será que estamos a acolher o abraço de Jesus? Será que temos aceite o abraço de Jesus? Será que temos desejado levar o abraço de Jesus aos nossos? Será que damos o abraço de Jesus uns aos outros? Cristo deseja que ninguém se perca. Eu quero continuar a esforçar-me em abraçar e vós? Vamos ser mais fraternos? Mais irmãos?

«viram o Menino... e, caindo de joelhos, prostraram-se e adoraram-n’O» (cf Mt 2,1-12)

A alegria de Seguir a Luz de Deus está inscrita no coração de cada um, e a forma como se faz a procura e a descoberta da mesma Luz é diferente de pessoa para pessoa, deixando a mesma Luz marcas diferentes. O Senhor é o mesmo, mas as marcas são diferentes porque os corações e as circunstâncias de vida também são diferentes. 
Lembrar a Estrela que é a Guia dos Magos é lembrar o Menino que é achado por eles. Não se conhecem os sentimentos que lhes invadiram o espírito, mas que ao verem-n'O eles mudaram a sua forma de estar: "prostraram-se e adoraram-n'O". Qual é a minha/nossa reação de cada vez que me deixo guiar pela Estrela e encontro o Menino?
Jesus é a Salvação manifestada a todos os povos, culturas e nações. Não é só para uma pessoa e para um povo específicos, mas para toda a humanidade. Por isso mesmo é que eu/nós cristãos católicos devemos levar no nosso coração a luz d'Ele. Mas nos Magos que souberam estar atentos aos sinais, também eu/nós estamos atentos aos sinais, ou seja, os acontecimentos da vida são lidos à luz de Deus? Nos Magos também vemos três homens que se desinstalaram do seu comodismo e arriscaram para ir ao encontro de algo desconhecido. Tenho/temos nós a coragem de o fazer? 
No dia a dia, a reconstrução de vidas dilaceradas por situações e circunstâncias, pode ser dolorosa e com a falta de um olhar de luz e esperança. Assim a Palavra de Deus através do profeta Isaías dá o mote de nos levantarmos e resplandecermos como as pedras brancas da cidade de Jerusalém. Ser como o sol que bate nessas mesmas pedras. A vida tem as suas contrariedades, as suas angústias, as suas opressões e marginalizações, mas através de um olhar de esperança, através de uma forma fraternal de vivermos uns com os outros, poderemos viver com a força da luz, pois Deus está connosco e dá a força e a motivação para ir em frente!  Consigo/conseguimos ser a luz que outros precisam para seguir em frente em vez de ser obstáculo que só consegue ser divisão e discórdia?