segunda-feira, agosto 07, 2017

carta (g)

Há tanta coisa que não tem sentido porque os olhos não se abrem para ver a sua verdade e a sua beleza. Às vezes quando os olhos se abrem, pode parecer que já foi tarde demais. Mas desta vez não foi, pois não? Foi o momento que Tu quiseste que acontecesse e não o que eu queria. A Tua vontade está muito acima da minha vontade e da minha razão. Custa a aceitá-la? Custa,... e custa mais quando se teima em não querer acreditar que acontecem incredulidades que são realidades. Custa mais, quando se tem de aprender a fazer tudo de novo com uma nova "presença" que é ausência. Mas Tu, Senhor, sei que não queres a angústia, mas sim a esperança. É à
esperança que de Ti vem que me tenho agarrado todos os dias... "levanta-te e não temas". Algumas vezes levanto-me,... outras vezes preciso das boas mãos generosas que me rodeiam para que me levante,... outras vezes não há forças para tal, nem vontade. Só há vontade de ficar a olhar a saudade que permanece,... a saudade de coisas tão boas que Tu quiseste que vivêssemos juntos, e que sempre vamos viver. Não tenho medo de olhar em frente, Senhor,... tenho medo de cair e de não ter mais mãos que me levantem e me segurem de pé. Se há algum medo que tenha, é só este. Ficar caído. Mas quando aparece este medo, logo aparece uma mão,... duas mãos,... três mãos,... que Tu me dás para me segurar de pé. Só Tu, Senhor, dás o que é preciso para caminhar, mesmo quando se cai... cai,... cai,... cai,... e não se admite que o buraco parece ser grande. Hoje quero agradecer pelo sorriso que já não vejo e por todos aqueles que continuo a ver e me fazem levantar e não ter medo de olhar a vida.