terça-feira, novembro 18, 2025

coração a coração (g)


Na certeza de que o coração fica apertado quando há situações em outros corações que o deixam comprimido, penso muitas vezes mais nos outros corações do que no meu coração. É assim que tem que ser (pelo menos eu entendo desta maneira). Nunca entendi o viver só para mim mesmo, sem olhar aos outros. Também tenho a firme consciência que "ocupo demasiado espaço" na vida das pessoas que me são próximas, mas não é por mal nem por bem, é só porque ponho mais coração nos que amo do que em mim mesmo. Também sei, e tenho consciência, que poderia fazer mais... muito mais... podia amar mais corações,... encontrar mais corações pouco amados e dar-lhes mais coração,... encontrar também mais serenidade no coração, de modo a poder estar mais com os corações que Deus me coloca no coração.

quinta-feira, novembro 06, 2025

coração a coração (f)


Há dores que dão no coração e que deixam feridas profundas. Há dores que se dão no coração e que se vão transformando em sentimentos bons de saudade e de memória. São estas dores que dão origem a estes sentimentos que hoje sinto. Lembro-me de uma série de pessoas que foram passando na vida e que deixaram marcas da sua presença e que levaram outras a marcar a sua presença. Isto é um misto de sentimentos e afetos que são um bater de coração verdadeiramente amoroso. Os rostos e a sua presença física são importantes, mas o seu testemunho (que é o seu melhor testamento) é mais importante. São Paulo escreve que as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Muitas vezes penso nestas suas palavras que vou fazendo minhas como forma de vida. Os sorriso,... as palavras,... a forma de decidir,... as escolhas feitas,... a presença,... a sabedoria (os conhecimentos),... os abraços,... os beijos,... as lágrimas,... o simples estar,... São dores que não são dores, mas são saudade e memória que permanecem e fortalecem o coração.

terça-feira, novembro 04, 2025

coração a coração (e)


 O coração às vezes bate tão irregularmente que dá vontade de o retirar de dentro do peito. Isto é só um sentimento, como tantos outros. Mas é verdade: às vezes não percebo o coração nem o porquê de ele ser tão irregular. Atenda-se que quando sinto o bater irregular do coração é o sentir o amor frágil e esguio. Faz-me muita falta compreender o porquê de outros corações serem muito agitados, desconfiados e rancorosos. Não entendo corações que procuram mais o mal do outro do que o bem. Alguns diriam que estas pessoas são pessoas sem coração. Mas eu não consigo pensar assim, pois o coração não é do próprio, mas de Deus. Pelo menos foi assim que sempre cresci: não quero ser dono do meu coração, quero que Deus seja o seu dono: sempre. Mas a irregularidade com que ele por vezes vai batendo não é Ele que faz o ritmo, sou eu. Talvez precise mais de estar quieto e sossegado e deixar-me estar nas mãos dele. Há corações que não são bons e que fazem com que o ritmo do meu seja irregular?  Não. o que há é corações que não se dão ao Senhor e querem ser posses de si mesmo e por isso mudam o ritmo do coração dos outros. 

domingo, novembro 02, 2025

reflexão... (46) Dar o coração que não é meu

 


O que vem do coração, vem da verdade da alma, uma vez que sendo criaturas do Criador, o mais íntimo de cada um tem em si mesmo a presença de Deus. Talvez por vezes não se procure esta intimidade e interioridade, mas elas estão lá (cá). Talvez por vezes “a vida” seja demasiadamente célere, mas Ele continua no interior da vida. Poderiam ser enumerados muitos “talvez” para encontrar razões para que a espiritualidade não seja devidamente cuidada (ou mais bem cuidada), mas não vale a pena, porque razões cada um tem as suas.  Então, será preciso ir à profundidade do coração para aí encontrar a centelha do Criador e a partir dela continuar a fazer parte de uma criação de fé, esperança e amor.

Assim, o tempo de agora é sempre propício para que eu possa querer estar mais junto d’Ele na concretização da Sua vontade no que sou, penso e faço, pois d’Ele vem tudo. Um outro “talvez” possa agora ser aplicado: talvez por vezes eu não esteja disposto a isso, mas talvez não possa deixar passar o agora para me dispor a “entrar” em Deus e deixar que seja Ele a guiar a vida. É só preciso isto: disposição. Depois de eu estar disposto para tal é só continuar.

Vou pensar o meu coração em Deus para poder olhar o coração do meu próximo em Deus. Este será um dos exercícios práticos e espirituais mais desafiantes para a concretização das palavras de Jesus da última Ceia: “Como eu vos fiz, fazei vós também”. Netas palavras encontra-se o coração fora do peito, que é a mesma coisa que dizer: o coração no coração do próximo. O coração que não se exalta, mas o coração que se humilha. O coração que olha o outro e que quer vê-lo na sua totalidade: de baixo para cima. Assim deverá ser mais o meu olhar: não de cima, mas na totalidade, sabendo que este gesto de se colocar aos pés do próximo, é a forma de dar o coração que não é meu, mas que é vontade de Deus. Paz e Bem!