sexta-feira, janeiro 02, 2026

reflexão... (48) Senhor, que queres que eu faça?


Ano novo, vida nova. Será bem assim? Não consigo ser tão ousado em que agora seja tudo novo e tudo diferente. É preciso renovar, transformar, converter algumas coisas, as nossas vidas,… isso sim. Não serão todos e cada dia uma oportunidade para o fazermos?

Vivem-se muitas experiências: umas são plenas de sentido e outras vazias dele. Será bom viver muitas e muitas coisas? Experimentar muitas e muitas coisas? Porque não tomar a opção por viver experiências que dão sentido e que dão força à alma e ao coração? Claro que aqui refiro-me à descoberta e experiência da minha relação com Deus: na vida diária através da leitura e da escuta da Sua Palavra; da partilha de vida comunitária uns com os outros, sendo realidade o amor e o perdão; da oração pessoal e conjunta, numa dedicação diária e semanal a um tempo de silêncio e de palavras no coração. Sabendo todos que as nossas comunidades cristãs já foram mais ardentes na unidade, na assiduidade ao ensino, na Eucaristia e na Casa-oração, porque não pensar em fazer um caminho de Igreja que seja mais pleno de fé verdadeiramente cristã e menos de “interesse” em moldar a fé à conveniência pessoal de cada um? (Re)(descobrir) caminhos de unidade ao Senhor e necessidade do próximo; caminhos de encontro com o Senhor nos Sacramentos; caminhos de diálogo com o Senhor nas nossas casas, famílias e ambientes que vivemos e frequentamos.

Vem ao meu coração aquele refrão de um cântico: Deixa Deus entrar na tua própria casa, deixa-te tocar pela Sua graça, dentro em segredo, reza-lhe sem medo: Senhor, Senhor, que queres que eu faça?

Parece-me claro o que Ele quer que eu faça, mas é claro para todos nós? Sejamos mais de Deus e menos dos homens. Queiramos ser mais de Deus e menos do mundo. Procuremos mais o coração de Deus!

Paz e Bem.

 

terça-feira, dezembro 02, 2025

reflexão... (47) Tesouro no coração e na ação


Há reais tesouros no coração da Humanidade. O maior tesouro que cada um tem no seu coração e que pode guardar, viver e testemunhar na vida é Deus. O Senhor, autor da Vida, vem continuamente ao meu/nosso encontro para me/nos chamar das mais variadas situações de morte e desespero para abraçar a vida e a esperança. Será que eu estou com o coração aberto para que este tesouro brilhe em mim e através de mim?

Às vezes ponho-me a pensar se não haverá mais alegria em ser de Deus do que aquela que eu (e outros) realmente transmito. Provavelmente nem sempre a vida é à minha/nossa maneira, mas terá que ser? Sim, por vezes há chatices porque eu quero uma coisa e o outro quer outra coisa; porque um pensa que assim é melhor e outro pensa que de outra maneira é melhor ainda; porque há alguma falta de tolerância ao outro, à sua pessoa e à sua opinião; porque há muitas coisas que se vão sobrepondo e depois? Depois há confusão.

O que agora me vem ao pensamento é simples: o meu maior tesouro é ter o coração em Deus e a partir daí ir vivendo a vida. Este sim é um tesouro. Pedir ao Senhor que venha e me transforme… pedir ao Senhor que me fortaleça na Sua Graça… pedir ao Senhor que o meu coração seja só Seu.

O tempo de agora é um tempo de muitas coisas, mas continua a ser o tempo d’O que vem de ontem, d’O que está agora e d’O que estará sempre. Assim, que não custe a ninguém dar-se e dar o seu tempo ao Senhor, porque d’Ele tudo vem e para Ele tudo é. Não deixemos de o guardar no coração como tesouro precioso que se torna ação nas palavras e gestos de cada dia. Desafio? Estar mais perto d’Ele nos sacramentos, nos encontros, na reflexão, na comunidade, nas celebrações da vida, na abertura do coração às Suas novidades e na vontade de fazer parte delas. Paz e Bem!

 

domingo, novembro 02, 2025

reflexão... (46) Dar o coração que não é meu

 


O que vem do coração, vem da verdade da alma, uma vez que sendo criaturas do Criador, o mais íntimo de cada um tem em si mesmo a presença de Deus. Talvez por vezes não se procure esta intimidade e interioridade, mas elas estão lá (cá). Talvez por vezes “a vida” seja demasiadamente célere, mas Ele continua no interior da vida. Poderiam ser enumerados muitos “talvez” para encontrar razões para que a espiritualidade não seja devidamente cuidada (ou mais bem cuidada), mas não vale a pena, porque razões cada um tem as suas.  Então, será preciso ir à profundidade do coração para aí encontrar a centelha do Criador e a partir dela continuar a fazer parte de uma criação de fé, esperança e amor.

Assim, o tempo de agora é sempre propício para que eu possa querer estar mais junto d’Ele na concretização da Sua vontade no que sou, penso e faço, pois d’Ele vem tudo. Um outro “talvez” possa agora ser aplicado: talvez por vezes eu não esteja disposto a isso, mas talvez não possa deixar passar o agora para me dispor a “entrar” em Deus e deixar que seja Ele a guiar a vida. É só preciso isto: disposição. Depois de eu estar disposto para tal é só continuar.

Vou pensar o meu coração em Deus para poder olhar o coração do meu próximo em Deus. Este será um dos exercícios práticos e espirituais mais desafiantes para a concretização das palavras de Jesus da última Ceia: “Como eu vos fiz, fazei vós também”. Netas palavras encontra-se o coração fora do peito, que é a mesma coisa que dizer: o coração no coração do próximo. O coração que não se exalta, mas o coração que se humilha. O coração que olha o outro e que quer vê-lo na sua totalidade: de baixo para cima. Assim deverá ser mais o meu olhar: não de cima, mas na totalidade, sabendo que este gesto de se colocar aos pés do próximo, é a forma de dar o coração que não é meu, mas que é vontade de Deus. Paz e Bem!

 

quinta-feira, outubro 02, 2025

reflexão... (45) tempo de esperança


Tempo de confusão? Tempo de indecisão? Tempo de convicção? Tempo de afirmação? Tempo de desilusão? Tempo de Esperança? Prefiro “tempo de esperança”.  Hoje, como ontem e como amanhã, há muitas coisas que se passam como conhecimento sem o ser. Há saberes que se passam mas não se “agarram”. Há testemunhos de vida que se transformam em memórias e que passam a esquecimentos. Por isto e muito mais, é tempo de esperança. “A esperança não engana” (Rom 5, 5) escreve São Paulo , e é uma das grandes verdades, pois há muitas pessoas que enganam, mas a esperança não. A esperança é uma chama que se mantém acesa na expectativa do que está para vir, no sentido cristão, a esperança está além de tudo o que agora se vive e crê pois projeta-nos para o que está para vir: o Céu.

Posso agora tocar o Céu? Posso tocá-lo, sim. Vivê-lo já será mais difícil, dizem alguns. Mas posso tocá-lo. Quando é que isso acontece? Sempre que sou e vejo o rosto de Deus no espelho e nos outros. Querer ser rosto de Deus, é querer ser amor e entregar a vida nas suas mãos. Num tempo em que o desespero pode parecer reinar, a esperança é confiança em Deus. “Porque não dás a tua vida a Deus?” é exigente, é verdade, pois faz sair do eu para o Tu. E o Tu de Deus é uma descoberta pessoal e comunitária. Por isso, não é interessante dar as desculpas de que os outros são isto ou aquilo, falam desta maneira e daquele ou da outra, e que por isso não me revejo em ser igreja. Pois eu tenho esperança de não me ver e de não me verem pelas minhas fragilidades, mas pelas minhas virtudes. Tenho esperança de conseguir olhar mais as pessoas nos olhos do que “de lado”. Tenho esperança de que, apesar do mundo ser de lobos, os cordeiros mostrem o caminho certo. Tenho esperança de que este tempo seja de esperança e seja de uma espera ativa e reativa perante uma realidade que precisa da esperança de Deus. Paz e Bem!

 

segunda-feira, setembro 08, 2025

coração a coração (a)


O coração é o lugar de muitas coisas e o "motor" do corpo humano. É evidentemente imprescindível para haver vida. No coração muita coisa se passa. Neste momento lembro (após ler um artigo sobre pôr fim à vida, de pessoas que se dão por inteiro ao mundo) que o coração muitas vezes guarda para si e suporta tantas palavras, tantas paisagens, tantas dores e tantas outras coisas, que acaba por se sentir rebentar de um momento para o outro. Por isto recordo que não devemos rebentar o coração uns dos outros, para que não se dê o caso de outros rebentarem com o meu. Sim... é muito fácil e rápido rebentar com o coração. Não se rebenta o coração por excessos de amor e bondade, mas rebenta-se o coração por excessos de exigências e cobranças. Exigir e cobrar de um coração humano aquilo que é a perfeição não praticada nem desejada na própria vida, rebenta com ele. Posso pensar em muitas coisas que são as exigências e cobranças dos outros ao meu coração... prefiro pegar nele e dá-lo ao Senhor, para n'Ele encontrar descanso e repouso. Tudo posso n'Aquele que me dá força.

quarta-feira, setembro 03, 2025

em reflexão... (44) dar tudo a Cristo




Há muitas inquietações que nos podem assolar a alma e o coração. Cada um tem as suas e cada um haverá de as colocar em Deus, quando assim se dispuser a tal. Mas: vale mais viver as inquietações para si mesmo, no seu “casulo”, no seu isolamento, por vezes em nome do “ninguém tem nada a ver com isso”, do que partilhar as inquietações na comunidade? Sim, na comunidade. Nós não nos juntamos em oração só para um preceito cumprido, mas juntamo-nos por Cristo, com Cristo e em Cristo, para que também as inquietações de um possam tornar-se oração de muitos e fortaleza no coração de mais alguns.

Não é preciso descobrir o que já está descoberto há muito tempo, mas é preciso redescobrir o valor da fraternidade e da unidade sem “segundas intenções”. Por isto é preciso reaprender a dar tudo a Cristo. Talvez esta redescoberta tenha que passar para o centro das nossas vidas humanas, espirituais e sociais, pois é uma experiência pessoal e comunitária a ser valorizada cada vez mais. Assim, o que é dar tudo a Cristo? É dar-lhe o que penso e o que não penso. É dar o que acredito e o que não acredito. Dar as alegrias e as tristezas. Dar os sorrisos e as lágrimas. Dar as pessoas que nos são próximas e as afastadas. Dar os que me querem bem e os que me querem mal. Dar as boas palavras. Dar os desesperos para receber a esperança. Dar os pesos do coração para alcançar o alívio. Dar… simplesmente dar a Jesus.

Na ação de dar tudo a Cristo, conseguirei também entender que a alegria da vida está mais em dar do que em receber e, se dou coisas boas, se espalho o bem e o amor, vou recebê-los também na vida: primeiro de Cristo e depois de Cristo nas pessoas e no mundo. Assim, será bom estarmos mais juntos, mais próximos e sermos mais unidos na fé e na esperança. Com coragem, com amor, com perdão e tolerância, disponhamo-nos a dar tudo a Cristo e a darmo-nos uns aos outros. Paz e Bem.

 

 

sábado, agosto 02, 2025

em reflexão... (43) Resplandeça sobre nós a Luz do Seu rosto

 


Resplandeça sobre nós a Luz do rosto do Senhor”. Esta oração do Salmo 66 é um pedido que continua a ser urgente (talvez mais do que nunca), perante as várias vicissitudes do mal que existe no coração da humanidade. Talvez seja uma ousadia pensar e escrever sobre a maldade que se instala na vida quotidiana, mas não é do mal nem no mal que penso, mas sim na Graça e na Luz de Deus que são mais fortes do que a sua ausência.

Tudo o que é iluminado é mais belo do que a escuridão. Então, haveremos de nos questionar sobre a forma como deixo (deixamos) que o Senhor brilhe através de mim (nós) para o meu próximo. A Luz vence as trevas. A Graça vence o pecado. O Bem vence o mal. Estou decidido a permanecer com Deus no coração? Quero Deus na minha casa e na minha família? Quero ser um Seu rosto?

Chega de deixar que outras coisas que não a humildade, a doçura, a paciência, a bondade, o amor, a paz, levem a melhor nos caminhos da vida. E, sim, está ao meu alcance que seja isto mesmo a minha marca de vida cristã, pois se sou de Cristo, não posso viver como se Ele não faça parte da minha vida, ou seja, os pensamentos, as palavras e as ações têm que ser o reflexo do Seu rosto. “Mas não consigo”… Quantas vezes já tentei a sério? Não sou de Cristo de nome, mas sou de Cristo pelo Batismo e  por esta marca indelével de vida.

Resplandeça sobre nós a Luz do rosto do Senhor”. Peça cada um que a Luz de Deus esteja em si mesmo (eu peço) e procure cada um afastar-se do que não é Luz de Deus. Quero a Luz da vida? Entrego-me a Deus. Quero sentir a Bondade da vida? Deixo que Deus esteja nos meus pensamentos, palavras e ações. Quero ser parte do Reino que lh’E peço para toda a vida? Deixo-me envolver por Ele.

Paz e Bem.