segunda-feira, outubro 20, 2025

coração a coração (d)


 Um coração que tenha a capacidade de ser humilde com o outro, no sentido de não ser mais forte nem mais fraco, mas simplesmente: ser com o outro. Falta isto? Faltam outras coisas? os corações são como são. Uns com mais saúde e ritmo, outros nem tanto. Procuro ter um coração que não tenha o ritmo que eu quero, mas que encontre o ritmo que Deus quer. Ah, sim, não é transparente esta "luta" na vida (pelo menos na minha, e penso que nos outros também).  De uma forma simples, mas realmente verdadeira, procuro ter o coração no pensamento, nos gestos e nas ações... algo que nem sempre é bem compreendido pelos outros (sim eu sei que tenho um coração impulsivo). Mas quero e procuro ter o coração mais próximo do coração dos outros. Tento ser mais manso e humilde com Jesus. Esforço-me para amar mais e julgar menos; amar mais e ver menos defeitos; amar mais e ver mais virtudes; amar mais e perdoar mais. Só assim faz sentido ter um coração, na humildade do que caminha com o coração do outro.

quinta-feira, outubro 16, 2025

coração a coração (c)

 


A imensidão do coração vai daqui até mais além. Um horizonte de coração que seja além de tudo o que se conhece e que o olhar consegue alcançar. A imensidão do coração começa agora e não se vê lá muito bem quando tem um fim (e é se o terá, eu acredito que não!). Na imensidão do coração cabe tudo o que se sabe existir e o que ainda estará para chegar. Na imensidão do coração estão os conhecidos e os desconhecidos, os próximos e os afastados, os que se amam e os que não se gostam tanto,... Na imensidão do coração não está só isto ou aquilo, aquele ou aquela,... Na imensidão do coração tudo e todos fazem parte! Às vezes pode sentir-se o coração demasiado pequeno ou, simplesmente, doente (sem forças). Mas nada disto deixa que o coração seja imenso, é preciso tornar a descobrir a imensidão dele. Como fazê-lo? Confiando o próprio coração ao Senhor, pois d'Ele é e só n'Ele encontra a fortaleza para os vários momentos adversos da vida. Senhor, toma o meu coração, é todo teu, eu sou todo teu!

sexta-feira, outubro 10, 2025

coração a coração (b)

 

Olhar nos olhos do outro pode ser uma regularidade e também um desafio. Uma regularidade quando se conhece o outro, quando não se tem nada a esconder, quando se ama, quando ele é depósito da minha confiança. Pode ser um desafio quando há vergonha (não é preciso haver uma razão para haver vergonha), quando há desconhecimento, quando simplesmente não se quer olhar para falar. Os olhos revelam o coração, revelam a alma, são duas conexões diretas ao mais íntimo de cada um. Será sempre assim? Infelizmente não. Há olhos que escondem muitas verdades... Há olhos que não revelam a sinceridade dos sentimentos... Há olhos que não são corações, mas espadas e desilusões. Sim. Há muitas formas de olhar nos olhos sem se ver a verdade do coração. Há um coração que gosto de conhecer; o coração de Jesus. Seria bom que conseguisse ter um pouco mais dos mesmos sentimentos de Jesus... é bom quando consigo ter um coração mais semelhante ao de Jesus! Sei que o consigo quando amo mais,... quando perdoo mais,... quando sou menos eu e sou mais d'Ele...

quinta-feira, outubro 02, 2025

reflexão... (45) tempo de esperança


Tempo de confusão? Tempo de indecisão? Tempo de convicção? Tempo de afirmação? Tempo de desilusão? Tempo de Esperança? Prefiro “tempo de esperança”.  Hoje, como ontem e como amanhã, há muitas coisas que se passam como conhecimento sem o ser. Há saberes que se passam mas não se “agarram”. Há testemunhos de vida que se transformam em memórias e que passam a esquecimentos. Por isto e muito mais, é tempo de esperança. “A esperança não engana” (Rom 5, 5) escreve São Paulo , e é uma das grandes verdades, pois há muitas pessoas que enganam, mas a esperança não. A esperança é uma chama que se mantém acesa na expectativa do que está para vir, no sentido cristão, a esperança está além de tudo o que agora se vive e crê pois projeta-nos para o que está para vir: o Céu.

Posso agora tocar o Céu? Posso tocá-lo, sim. Vivê-lo já será mais difícil, dizem alguns. Mas posso tocá-lo. Quando é que isso acontece? Sempre que sou e vejo o rosto de Deus no espelho e nos outros. Querer ser rosto de Deus, é querer ser amor e entregar a vida nas suas mãos. Num tempo em que o desespero pode parecer reinar, a esperança é confiança em Deus. “Porque não dás a tua vida a Deus?” é exigente, é verdade, pois faz sair do eu para o Tu. E o Tu de Deus é uma descoberta pessoal e comunitária. Por isso, não é interessante dar as desculpas de que os outros são isto ou aquilo, falam desta maneira e daquele ou da outra, e que por isso não me revejo em ser igreja. Pois eu tenho esperança de não me ver e de não me verem pelas minhas fragilidades, mas pelas minhas virtudes. Tenho esperança de conseguir olhar mais as pessoas nos olhos do que “de lado”. Tenho esperança de que, apesar do mundo ser de lobos, os cordeiros mostrem o caminho certo. Tenho esperança de que este tempo seja de esperança e seja de uma espera ativa e reativa perante uma realidade que precisa da esperança de Deus. Paz e Bem!