sexta-feira, novembro 09, 2012

pedaço de vida (z)




Há uma série de coisas que fazem duvidar a validade da existência e pôr em perspetiva o que se é e o que se faz… Hoje, como todos os dias, ajoelho-me diante de Jesus e procuro rezar a vida, para saber o que quer de mim… Até onde queres que vá? O que queres que faça? O que posso fazer para ser melhor discípulo? Que passos tenho de dar? Será que somos realmente poucos os que acreditamos em Ti e tentamos viver a Tua Palavra? Como levar a Tua Palavra ao coração da humanidade? De que forma? Com que métodos?
Podem parecer estas palavras um grito de coração e alma em desespero. Penso que não, mas às vezes penso que sim! Lê-se, medita-se, anuncia-se, mas não se veem os frutos tão desejados e ansiados. Um tempo de renovação de testemunho, de esperança… Estou/estamos todos a precisar…
Se alguma vez me esquecer de Ti, Senhor, faz-me lembrar através do próximo que estás sempre aqui ao meu lado e és a força e a esperança que preciso para ir mais além…
Se alguma vez me não lembrar de Ti, Senhor, faz-me lembrar outra vez do meu pecado e aponta-me o caminho para ir mais além…
Se alguma vez me afastar de Ti, Senhor, coloca alguém no meu caminho que me faça lembrar a beleza da Tua existência e da Tua presença na humanidade…
Se alguma vez duvidar de ti, Senhor, faça-se a Tua vontade e não a minha…

sábado, outubro 27, 2012

«atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus» (cf. Mc 10,46-52) - XXX Domingo do Tempo Comum - B


Em que momentos na vida, tenho a coragem para atirar a capa para trás e de um salto ir ter com Jesus? Na figura do cego Bartimeu, encontra-se representada a acomodação, o conformismo e a estagnação da vida. Digo mesmo, da vida de muitos cristãos. Quantas são as vezes que por causa de prazeres pessoais e interesses mundanos não dou um salto para ir ter com Jesus? Quantas são as vezes que deixo que a minha forma de pensar e a minha vontade não sejam moldadas pelo anúncio da Boa-Nova?

Estava este homem cego, Bartimeu, também conformado com as suas circunstâncias de vida e com a exclusão que a sociedade lhe impunha. Abandonado junto ao caminho, mas não plenamente esquecido porque pedia esmola, este homem dá conta de Jesus a passar e, de repente, deseja mudar a sua vida. De um conformismo e acomodação só seus, passa a uma entrega e a um encontro que mudam para sempre a sua vida. Se ele era sinal de acomodação, agora passa a ser sinal de diferença.

Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”. Este é o grito da confiança e do desespero que este homem tem a coragem de fazer. Reconhece que Jesus é o Messias e pede-lhe, carinhosamente (mas em alta voz) para que Jesus olhe para ele. Quando a humanidade pede com coração, alma e inteligência, o Senhor não deixa de atender o pedido. Por isso, a primeira ordem é que o caminho entre Jesus e Bartimeu fique desimpedido e não haja obstáculos que continuem a bloquear o encontro: “Chamai-o”. (Sim, existe quem passe a vida a recusar que alguns façam o seu encontro com Jesus: ou porque se manda calar, ou porque não se ouve, ou porque não se ajuda, ou porque não se ama, ou porque…).

Mestre, que eu veja”. “Vai, a tua fé te salvou”. A adesão ao Senhor, passar pelo reconhecimento de quem Ele é. Por ir ao Seu encontro. Por entregar a vida nas Suas mãos. Por escutar com verdade o Seu anúncio. Por deixar a “capa” para trás e sem medo avançar na vida. Por não perder a esperança de dizer e gritar bem alto: Jesus, tem piedade de mim! Jesus olha para mim! Jesus eu quero-te na minha vida!

Na fé recebida como dom, encontra-se a esperança a que todos somos chamados. Porque não ouvir com ouvidos e coração a Palavra do Senhor? Porque não deixar que ela transforme a minha vida? Porque não recusar cada vez mais a divisão da fé da vida quotidiana e aceitar mais a fé como modo de viver? Porque não deixar de ser obstáculo para que outros se encontrem com Jesus? Porque não pensar com simplicidade e humildade: o que é que depois de ouvir a Palavra e meditá-la vai ser diferente na minha vida?

Pe Ângelo Martins

sábado, outubro 20, 2012

“o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos” ( cf Mc 10,35-45) XXIX Domingo do Tempo Comum - B

“Servir e dar a vida”… que belo lema de vida que é oferecido pelo Senhor aos discípulos e, hoje, a todos nós.
Por vezes parece andarmos distraídos com questões de lugares, como Tiago e João. Os discípulos parecem andar longe de compreender e viver os ensinamentos de Jesus, pois só os seus interesses parecem emergir quando chega a hora de dialogar com o Mestre. Assim, Jesus insiste em ensiná-los (a nós também) que o Reino está para além de interesses pessoais e de lugares. O Reino está presente em cada um, cada vez que se faz doação e entrega ao próximo. Isto é o servir e dar a vida!
Em que momentos da minha vida eu procuro mais servir do que ter e fazer as coisas para me satisfazer? Em que momentos da minha vida procuro o melhor para o próximo (família, amigos, vizinhos e outros…)? Quando é que escuto mais a Palavra de Jesus?
A Comunidade que forma o Reino de Deus é feita de amor e doação! Pelo menos devia. Está ao alcance de quem? De mim, de ti e de todos nós. É urgente deixar brilhar a Palavra da verdade nos nossos corações. É urgente despertarmos do sono adormecido da fé recebida para a alegria vivida e celebrada. É preciso não deixar passar a beleza de Deus ao lado, mas embarcar com Ele na aventura da fé. Sim, a fé é uma aventura que é dom de Deus e acolhimento e resposta de cada um de nós.
Neste caminho, as facilidades não são muitas, ao contrário das exigências que são bastantes. Neste caminho, pode o sofrimento embarcar também connosco. Mas será ele um mal? Ou um bem? Ou então uma mera componente da missão de evangelizar sem desfalecer? “Terminados os sofrimentos verá a luz e ficará saciado”. Estas são as palavras do profeta acerca do Servo do Senhor. Servo este que sofre, mas que garante a Luz no e após o sofrimento. Evangelizar, ser discípulo, ser apóstolo, é também passar pelas “perseguições” e pelos sofrimentos. Estes sofrimentos podem levar a pensar que se está isolado e se rema sozinho contra uma maré que parece ser um tsunami. Não há que desanimar, pois a redenção através do sofrimento é plenitude da vida e garantia para o futuro. É-nos desafiado a nós, cristãos, sermos simples e humildes, padecendo nos sacrifícios como o servo disponível para amar sempre.
“Permaneçamos firmes na profissão da nossa fé”, diz a carta aos Hebreus. Em pleno Ano da Fé este desafio também se torna exigência. Não uma exigência com falta de palavras e obras, mas uma exigência de testemunho de vida! Acordemos da fé adormecida! Levantemo-nos com esperança! Acreditemos com toda a força, com toda a alma e com todo o entendimento. Somos desafiados a professar a nossa fé, com a vida! Somos “chamados a fazer brilhar a Palavra da verdade” (Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Missões)!
Neste dia em que somos também convidados a lembrar todos os missionários, acolhamos o desafio de viver a Missão de Jesus: tomar o seu exemplo de vida e, sem receio, sem temor e sem medo, transmitir a fé!
Pe Ângelo Martins

quinta-feira, outubro 11, 2012

quero...



Se pudesse voltava o tempo atrás,…
Se pudesse, não deixava que os sorrisos acabassem,…
Se pudesse, agarrava todos os momentos perdidos,…
Se pudesse, amava mais até hoje do que amei,…
Mas sei que não posso,… Por isso quero lembrar-me sempre que:
A vida é uma sinfonia perfeita que não acaba jamais,…
A vida é uma melodia celestial de palavras e olhares,…
A vida é um cruzamento de vidas e corações,…
Quero lembrar-me mais que:
a vida é um dom de Deus,
Que não posso adormecer em nenhum momento,
Que tenho de agradecer ao Senhor o que já vivi até hoje,
Que devo amar mais como Ele me amou e continua a amar,…

sábado, setembro 22, 2012

Sou rosto de Cristo para a Humanidade?


De fato, muitas reflexões acerca do ser Igreja hoje em dia, se podem fazer. A mim surge-me esta questão: sou rosto de Cristo para a humanidade? Se assim não for, como posso eu, ou qualquer outro dizer: sou Igreja?! Haverá esforço sincero da parte de todos nós em sermos verdadeiros rostos de Cristo? Verdadeiros e sinceros, de alma, coração e corpo!
Talvez chegue de querer ser Igreja para o que convém aos prazeres pessoais e, finalmente, tenha chegado o tempo de ser Igreja como rosto de Cristo. O que sou é imagem d’Ele? Ou é minha imagem?
Talvez chegue de andar a dizer-se que “sou Igreja”, “sou cristão”, quando por detrás se fala mal da Igreja (da qual se faz parte), quando não se aceita seguir os passos da comunidade (na qual se está integrado), quando o “sou cristão” é segundo os desejos pessoais e não segundo a vontade de Deus.
Prestes a iniciar o ANO DA FÉ, proclamado pelo Santo Padre Bento XVI a propósito dos 50 anos do Concílio Ecuménico Vaticano II, todos nós cristãos, Igreja, somos desafiados e reencontrar o nosso ser Igreja e a procurar entender e viver melhor a fé que não é pessoal, mas que vem dos nossos antepassados e, acima de tudo, nos vem do Senhor que dá a vida.
Neste “Ano da Fé” todos teremos várias oportunidades para crescer na fé, na formação, no entendimento, descoberta e reflexão da Sagrada Escritura e dos documentos do Concílio. Será um tempo para aproveitarmos para crescer em esperança, pois num mundo e numa sociedade em que reina o individualismo, o egoísmo e a autossuficiência, é tempo para sermos verdadeiros rostos de Cristo na Humanidade!
Não há que ter medo de nada, mas sim de aceitar os desafios da Palavra de Deus, da Igreja e da comunidade. Celebrando este ano também os 50 anos da morte de D. João de Oliveira Matos, que foi bispo auxiliar da Guarda e fundador da Liga dos Servos de Jesus (encontrando-se o seu processo de beatificação em fase de análise em Roma) deixemos que também as suas palavras ecoem em nós: Temos de ir mais além e deixar que Jesus reine nos nossos corações, nas nossas casas, nas nossas famílias, na nossa terra, na nossa Diocese, no nosso país e no mundo inteiro. 

Mensagem para as Comunidades que me estão confiadas e a todos os que se deixam tocar por estas palavras...

terça-feira, setembro 04, 2012

pedaço de vida (y)

Quando a vida está demasiado acelarada, e por vezes é o que acontece a muitos de nós, é preciso tornar a aprender a soboreá-la. Por vezes, não é o que acontece, pois acontece haver a célebre "falta de tempo". Mas continua a ter a convicção de que é preciso encontrá-lo para saborerar os momentos mais simples e mais complexos da nossa existência. É o que estou a fazer neste momento: a reaprender a saborear os momentos de vida vividos. Ser testemunha de Jesus é também saber dizer: preciso parar para descansar um pouco e refletir! Não há que ter medo de o fazer, basta arranjar um tempinho. Oxalá todos o pudéssemos ter...

sábado, agosto 25, 2012

““Tu tens palavras de vida eterna” (Cf. Jo Jo 6,60-69) XXI Domingo do Tempo Comum - B


A vida quotidiana da humanidade é feita de opções e decisões. Por vezes as opções que são tomadas não são as mais felizes e afastam a humanidade do caminho da vida eterna. A Palavra de Deus deste XXI Domingo do Tempo Comum revela a opção do povo de Israel (tempo de Josué) e dos discípulos que seguiam Jesus.
Não é fácil tomar decisões, de modo particular as que levam à unidade de modos de ser e de viver. Josué, ao se aperceber que a sua partida para a eternidade estava próxima, reuniu as 12 tribos de Israel e falou-lhes diretamente da opção que ele mesmo e a sua família tomaram de seguir e viver sob a Palavra e a vontade de Deus, desafiando/questionando as outras famílias a darem agora a sua resposta: “Escolhei quem quereis servir”. Unanimemente escolheram todos servir o Senhor. Hoje, que resposta daríamos a Josué? Diante de uma multiplicidade de coisas que parecem querer ocupar o lugar de deus, em quem colocamos o nosso coração? Em quem colocamos a nossa esperança? Para onde caminhamos? Nesta sociedade tão pluralista e multicultural, temos a capacidade de discernir e optar pelos caminhos da unidade e da paz? Temos a coragem de optar por servir o Senhor?
Depois do milagre da multiplicação dos pães, do discurso do pão da vida, muitos dos discípulos abandonaram Jesus. Deixaram de o seguir por causa da desilusão que encontraram… afinal o Messias que esperavam ter encontrado não exercia poder sobre o povo e os povos, não libertava do poder político da época… Recusavam-se a querer um Messias que fala da morte e do sofrimento… Um Messias que dá a sua carne a comer e o seu sangue a beber… “As suas palavras são duras”. Alguns deixaram-n’O mas os doze permaneceram porque, provavelmente, já se identificavam com as palavras do Senhor.
O espírito é que dá vida”. Não são os bens materiais e as coisas efémeras e passageiras do tempo presente que são garantias de eternidade. O Espírito do Senhor cuida e ampara o nosso próprio espírito e é através dele que descobrimos o caminho da vida eterna.
“Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos que Tu és o Santo de Deus.” Que certeza e profissão de fé belas e profundas. E nós hoje? Seguimos o Senhor, ou queremos deixá-l’O por causa da dureza das suas palavras? Que certeza temos diante do mistério de Deus? Qual é a profissão e o testemunho que damos da nossa fé?
S. Paulo refere na carta aos Efésios que só na partilha, na união e na comunhão dentro da família se vive o reflexo da união e da comunhão de Cristo com a Igreja. Somos este sinal?
Resumindo: as opções que tomamos são as da fidelidade ao Senhor? As do seguimento das suas palavras? As do reflexo da sua união connosco?

sábado, agosto 04, 2012

“acreditar n’Aquele que Ele enviou” (Cf. Jo 6,24-35) XVIII Domingo do Tempo Comum - B


É preciso acreditar mais e confiar mais em Jesus. Não como sendo o que resolve os problemas, mas como o que caminha connosco e ensina o lugar por onde devemos caminhar. Deus oferece o alimento necessário ao seu povo. Pelo deserto, o povo murmurava, mas Deus estava atento aos seus murmúrios e às suas necessidades. Por isso fez descer do céu o maná. O pão que o povo precisava para viver em cada dia, pois todos os dias apanhavam só o que fosse preciso para esse dia. O deserto é quente, árido, seco, quase sem vida. Como por vezes é também a vida humana. O Pai revela-se à humanidade através da sua bondade e do seu amor. Revela-se como o rochedo seguro onde o povo pode sempre encontrar o alívio das suas dores e o necessário para viver. Por isso o Senhor, neste momento da vida do povo de Israel, “dá a lição” do desprendimento e da confiança total. No momento atual da sociedade é preciso existir confiança no que dá vida, no que dá o horizonte e a esperança do futuro: Deus. Mas alguns continuam a não querer ouvir e viver da Palavra do Senhor.
À  semelhança da multidão que foi alimentada pelos pães e pelos peixes do milagre da multiplicação, que foram atrás de Jesus só pela espetacularidade do acontecimento, ainda hoje há quem possa pensar que a manifestação de Deus tem de suceder de forma espetacular. Por isso é preciso ouvir Jesus, que hoje nos diz que o espetáculo da vida está em trabalhar pelo alimento que dura até à vida eterna, esforçando-nos todos os dias pelo alimento material e espiritual. Não nos bastará o amor, a partilha e o serviço? Parece que a multidão foi atrás de Jesus por julgar que a mensagem da multiplicação era muito pouca, ou seja, deveria haver mais espetáculo do céu. Ora, o Senhor revela-se na simplicidade e de forma discreta. Haverá mensagem mais bela do que a mensagem do amor, da partilha e do serviço à humanidade? Mas também a desilusão, a indiferença e a apatia, podem fazer com que facilmente a vida pareça vazia e sem sentido. Por isso, para alcançar o pão que sacia basta aderir a Jesus de alma e de coração! Jesus é o Pão da vida que sacia e que dá vida!

quinta-feira, agosto 02, 2012

pedaço de vida (x)


 
As certezas da vida podem transformar-se em incertezas e, por vezes em novidades contrárias que apontam numa nova direção que acaba por ser reveladora de experiências maravilhosas , cheias de sentido e plenas de Deus. Não escrevo este pedaço por ser mais um, mas por ser um pedaço que transformou a minha vida e a forma de encarar e viver a vida. Revelo por palavras e pelo coração que Deus me deu a Grande graça de partilhar experiências, palavras, momentos e lugares com pessoas extraordinárias, através das quais, fiquei mais próximo d'Ele. A minha iniciativa de abrir o coração e a vida e ouvir a voz d'Ele tem sido constante, mas ouvir a Sua voz através de outras vozes é uma experiência que não é nova, mas que tem ganho um novo sentido no meu dia-a-dia. Por isto eu agradeço e louvo o Senhor: por fazer parte da Igreja que põe em comum o coração e partilha a vida e estende as mãos para ajudar! (sei que por vezes não parece).

sábado, julho 14, 2012

"Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se convertem."

Deus atua na humanidade através de nós próprios. Deus toca o coração daqueles que estão abertos à Sua graça e que, com simplicidade e confiança, aceitam o seu desafio de ir e proclamar. Todos temos em nós próprios, enquanto batizados, a missão de profetas. Mas aceitamos a missão e vivemo-la?
Amós, criticado pelo sacerdote de Betel pelas palavras proferidas ao Povo, palavras de arrependimento e conversão, abre o seu coração e, na simplicidade, revela a sua origem: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’». Nesta sua resposta às palavras de Amasias, Amós revela a sua confiança plena em Deus e a sua entrega total nas suas mãos. Não é a origem que conta, mas a forma como se aceita que Deus fale ao coração. O profeta sabe que a sua missão vem de Deus. Cada um de nós sabe-lo? Deixamos o coração aberto e à escuta do Senhor? Enquanto profetas fazemos a denúncia do mal e fazemos frutificar o ser Igreja? Quantas vezes não teremos já virado as costas a quem, com simplicidade e humildade ao querer fazer o melhor para nós, nos aponta os erros e as falhas e nos dá o horizonte da conversão? É difícil ouvir as verdades e deixar que as verdades transformem.
Deus escolhe cada homem e cada mulher, independentemente da sua condição de vida, para falar ao Seu Povo. É preciso deixar os comodismos e os bairrismos que, em vez de nos aproximar, afastam! A Palavra do Senhor é uma palavra de paz e de conversão, por isto é que o coração deve abrir os seus olhos e o seu espírito à receção e à transmissão da Palavra.
Mas também não basta ir pelo mundo. É preciso ir, mas ir e anunciar, testemunhar, denunciar e mudar a/as vida/as. Foi para que isto acontecesse que Jesus enviou os Apóstolos. Enviou-os dois a dois (como era tradição judaica de viajar aos pares) para que estes se sentissem implicados e enraizados na dinâmica de ouvir, fazer e responder positivamente aos apelos do Céu e, assim, os corações das terras e das casas onde entrassem, fossem transformados pela força da Palavra. Nós hoje, discípulos de Jesus, escutando o seu desafio de ir, respondemos? A nossa vida é transparência da vida libertadora de Jesus? Estamos abertos às novidades que nos vêm do Senhor?
“Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.”

sábado, julho 07, 2012

“admirado com a falta de fé daquela gente”



O comodismo através de um modo de estar facilitista na vida, segundo os desejos pessoais e tradicionalistas, acaba por fazer com que a Palavra renovadora do Evangelho não entre dentro dos corações e transforme a forma de ser e de viver dos cristãos. Não basta ouvir a Palavra, é preciso interioriza-la e vivê-la na vida concreta do dia-a-dia. Só assim acontece a renovação.
Desconfia-se de quem propõe o bem e algo novo e renovador para o espírito, mas não se desconfia de quem teima em que tudo seja como sempre foi, sem sequer ouvir a proposta de Jesus. Por isto é que o Filho de Deus ficou “admirado com a falta de fé daquela gente”. Ouviam mas desconfiavam, só porque a humanidade de Jesus o ligava a um Carpinteiro e a uma mulher, Maria, simples e humilde. Será que o profetismo não pode vir de qualquer um? Serão precisos cursos e graduações para se ser profeta/boca de Deus? Todos os cristãos, temos a missão de profetas desde o dia do nosso batismo! Mas a maior parte de nós consegue e é a “boca” que indica o caminho para Deus?
O profeta é aquele que aponta o horizonte de Deus e que denúncia o que está mal e que tem de ser corrigido na vida da humanidade. O profeta não é aquele que implica com tudo e com nada para seu belo prazer, mas é o que é escolhido por Deus para sê-lo. Quantas vezes não atiramos fora a oportunidade de ouvir o chamamento do Senhor e pô-lo em prática. Valerá a pena ouvir a palavra e, de seguida, revoltarmo-nos contra o próximo só porque há alguma coisa que aconteceu e, pessoalmente, não gostamos? Penso que o Senhor Jesus ficaria hoje muito admirado ainda com a falta de fé de muitas comunidades que têm o título de cristãs, mas que na sua essência não o conseguem ser. Talvez porque não assumiu a missão profética?
O Senhor escolhe qualquer um de nós para transmitir a Sua Palavra. Só com a Palavra ouvida e meditada é que conseguimos passa-la para a vida. Na Sua terra, Jesus, acabou por não fazer nenhum milagre, apenas curou alguns doentes através da imposição das mãos. Provavelmente os únicos que tinham uma abertura no seu coração à novidade trazida pelo Filho de Deus. Ouvindo e meditando esta passagem do Evangelho deste domingo, um dos desafios lançados aos nossos corações será: deixar o comodismo o facilitismo com que podemos encarar a vida e abraçar Jesus com fé, confiança e destemidamente. Isto sim é difícil: Acreditar! Ter fé! Confiar! Eu não quero, e penso que nenhum cristão quer, que Jesus fique admirado com a falta de fé que possa existir nas nossas vidas. O que eu quero, e penso que todos queremos, é acreditar mais, confiar mais e ser mais profetas. Para que isto aconteça, um segundo desafio: estar atento(s) a Palavra e vivê-la sem medo! O cristão anuncia e indica o caminho com fé e esperança!
Pe Ângelo Martins
XIV Domingo do Tempo Comum - ano B

sexta-feira, julho 06, 2012

pedaço de vida (w)

Saber estar e ser agradecido por tudo o que é concedido por Ele no dia-a-dia! É assim que me tenho sentido nos últimos dias. Pode parecer que estas palavras são o sinal de que tudo corre bem na vida e sem dificuldades. Mas não. Estas palavras são sinal do ser agradecido pelo pouco ou muito, pelo esperado e pelo inesperado. Gostava de saber o que é ser agradecido, ser mais agradecido. Quero saber o que é dar mais graças ao Senhor, louvá-l'O e bendize-l'O. Isto é o que eu quero conseguir aprender a ser e viver ao longo dos próximos tempos. Já passaram 31 anos e já passaram 6 anos. Alguém enviou-me esta recordação (recordação serve para lembrar). Esta recordação faz-me voltar à origem (porque é importante voltar ao fundamento). "Seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir". Continuas a seduzir-me , Senhor. Mas será que tenho conseguido levar a Tua sedução ao mundo?