sábado, janeiro 13, 2018

carta (j)

Senhor, na vida diária há coisas que me fazem pensar sobre mim e sobre tudo (seria mau se assim não fosse). Hoje dou-me a pensar sobre o sentir da Tua Voz que me chama, pois algumas vezes me questionam sobre como sei que Tu me chamas, falas comigo e me dás esperança e força. E é sobre tudo isto, Senhor que eu agora estou a pensar... principalmente sobre o dom a vocação. Tu me chamaste e me chamas, e eu vou dizendo sim. Por vezes o meu sim não é muito forte, mas outras vezes é bem forte, e dou conta de mim a pensar que quando é mais forte, é mais cheio de amor Teu por todos e, por vezes, incompreendido por alguns. O Teu Amor divino pode mesmo ser incompreendido porque é muito, muito, muito grande e precisa de muitos corações para se manifestar, pois só o meu coração sozinho não aguenta. Por isso é que ouço a Tua Voz cada vez que digo o que sinto de Ti e vivo como o que sinto de Ti. Quando isto acontece eu dou-Te e partilho o Teu amor divino que é grande demais para ficar só comigo. A Tua Voz é enorme,... forte,... sentida,... poderosa,... e nem sempre acolhida. Por isto é que eu hoje, Senhor, tal como eu Te deixo entrar em mim, eu quero que através de mim muitos outros Te possam sentir, desejar e seguir. Quero dar-Te como Tu Te dás a mim e quero fazer ouvir a Tua Voz como Tu a fazes ecoar em mim. Hoje, Senhor, gostava que mais alguns também se colocassem diante de Ti e Te ouvissem, e que Te seguissem. Vou esforçar-me para que sejas Tua a falar na minha vida. Bem-haja, Senhor, pela força, esperança e amor que nos dás!

domingo, dezembro 17, 2017

carta (i)

Estou em paz, Senhor. 
Passou um ano de tristeza, de saudade, de tantos sentimentos que não há descrição possível para ter... Há um ano ouvi da voz da minha mãe o que nenhum filho está preparado para ouvir, e ainda por cima da voz de quem partilhou tanta vida com o pai. 
Mas estou em paz, Senhor, só porque sei que o pai está aí contigo e que continua a tratar de mim e de nós. Mas custa muito não o ver nem o ouvir. Mas aceito, Senhor. Aceito a tua vontade porque ela é a maior de todas e a mais perfeita de todas. Mas, Senhor, eu sofro com saudade e só te peço que me continues a dar a paz que me dás no coração, porque este beijo ao pai, foi também um beijo de paz e de amor entre pai e filho.

sábado, novembro 18, 2017

carta (e)

Sabes, Senhor (Tu sabes tudo) há algumas situações na vida que nos fazem querer desistir, mandar tudo aos ares e que tudo se esfume... É verdade! E Tu bem sabes, Senhor! Mas depois de se parar um pouco e olhar para Ti, deixando que a Tua sabedoria divina ilumine a minha vida, tudo se torna diferente, porque Tu dás aquele impulso que é preciso para olhar em frente, não esquecendo o que se vive, mas olhar em frente com esperança. De facto há pessoas más, inconscientes da sua maldade e que não têm noção do mal (ou até têm) que fazem. É por causa de corações assim que por vezes dá vontade de desistir e deixar tudo... mas Tu chegas de mansinho, Senhor, e fazes o que queres da minha vida e do meu coração... Por isso sigo em frente e olho o amanhã com esperança de que o mal seja vencido e de que esta vida dada ao próximo seja para a Salvação de muitos!

domingo, novembro 05, 2017

carta (d)

Sabes, Senhor, quando estou sozinho com "os meus botões", penso em muitas coisas. Coisas que são dotadas de razão e outras que estão muito vazias de razão. Por isso às vezes eu gosto de parar a pensar um bocadinho para mim mesmo. Pensar em coisas que faço e outras que ficam por fazer... em palavras que digo e em outras que ficam perdidas no coração... pensar nas pessoas que me rodeiam e olhar os seus corações e os seus olhos para conseguir entrar dentro do seu mundo, mas não consigo! Quando chego a pensar nas pessoas que me rodeiam, não consigo entrar, a maior parte das vezes, nos seus corações e nos seus olhos. E não sei o porquê! Acho estranho e aflige-me. o que me aflige não é o não conseguir tocar os seus corações,... o que me aflige é quando os seus corações não tocam o meu. Porque deviam tocar, não é? São tantos os corações e olhos que me rodeiam e que vejo, que não entendo porque não me sinto tocado pela maior parte deles. Já alguém me disse: "é porque não são simples e verdadeiros, porque os corações simples e verdadeiros tocam-nos e nós não os esquecemos, nem a eles nem aos seus olhos". Hoje, Senhor, rezo pelos que me tocam o coração, mas de um modo especial por aqueles que ainda não me tocaram. Toca-os, Senhor... fá-los simples e verdadeiros,... faz-me simples e verdadeiro para que eu os toque com o Teu Amor!

sábado, novembro 04, 2017

carta (b)

Senhor, nem sempre faço como Tu me pedes. Eu sei que para Ti é uma chatice, andares sempre a mostrar o caminho e eu desvio-me. Não digo que é por casmurrice, nem dou a desculpa da distração e muito menos a desculpa de que não tenho tempo para Te ouvir. Simplesmente me desvio porque há outros caminhos que, por vezes, parecem ser melhores. Mas não são. Eu sei que não são. Todos os dias eu me esforço por ser menos resmungão, por ouvir mais os outros, por ser mais simples e descomplicado, por saber dar "a mão à palmatória", por ter em conta as opiniões contrárias, por olhar as pessoas nos olhos,... Mas não é fácil, Senhor. mas eu esforço-me, acredita que faço um esforço abissal para que não caia na tentação de ser uma pessoa afastada do teu coração manso e humilde. Mas caio e por isso te peço perdão, Senhor. Que me perdoes as minhas resmunguices e a falta de aceitação das circunstância da vida. Que me perdoes as minha exaltações e orgulho. Que me perdoes a minha "cabeça passada",,... que me perdoes as palavras que são ditas fora do coração, pois Tu sabes que se eu dissesse tudo o que tem o meu coração, o Amor era só Teu. O que seria muito melhor, que o meu coração fosse só o Teu coração! Mas ainda estou longe disso, eu sei. Por isso e para já peço-Te perdão por todas as coisas que falho, pelas quedas que dou e pelas palavras que digo. Levanta-me, Senhor, e, através de mim, que muitos outros se levantem também!

sexta-feira, novembro 03, 2017

desabafo (f)

Quando as palavras ditas não são do coração e saem da boca por sair, porque somos impacientes,... porque se gostam das coisas à própria maneira,... porque nem tudo é azul e nem tudo é branco,... simplesmente porque a fragilidade da humanidade é assim: fria, dura, incisiva e... depois... magoa. Ahhhhhhh é o grito que me apetece dar neste momento! O tempo não para de avançar e por isso é   melhor não o fazer, apesar de que o íntimo é o que está a fazer... está aos gritos por causa da impaciência, por causa da mágoa, por causa da incompreensão, por causa de tanta coisa que ainda ando a aprender a fazer de novo sem a presença dele. Isto é realmente difícil (re)aprender a ser-se alguém sem ouvir as palavras e lidar com a ausência da presença que se tinha como certa. "Vai em frente que eu seguro na bicicleta",... foi isto que hoje me lembrei também ao falar da bicicleta que está parada e porque me lembrei fiquei triste, impaciente, magoei pessoas... 

segunda-feira, agosto 07, 2017

carta (g)

Há tanta coisa que não tem sentido porque os olhos não se abrem para ver a sua verdade e a sua beleza. Às vezes quando os olhos se abrem, pode parecer que já foi tarde demais. Mas desta vez não foi, pois não? Foi o momento que Tu quiseste que acontecesse e não o que eu queria. A Tua vontade está muito acima da minha vontade e da minha razão. Custa a aceitá-la? Custa,... e custa mais quando se teima em não querer acreditar que acontecem incredulidades que são realidades. Custa mais, quando se tem de aprender a fazer tudo de novo com uma nova "presença" que é ausência. Mas Tu, Senhor, sei que não queres a angústia, mas sim a esperança. É à
esperança que de Ti vem que me tenho agarrado todos os dias... "levanta-te e não temas". Algumas vezes levanto-me,... outras vezes preciso das boas mãos generosas que me rodeiam para que me levante,... outras vezes não há forças para tal, nem vontade. Só há vontade de ficar a olhar a saudade que permanece,... a saudade de coisas tão boas que Tu quiseste que vivêssemos juntos, e que sempre vamos viver. Não tenho medo de olhar em frente, Senhor,... tenho medo de cair e de não ter mais mãos que me levantem e me segurem de pé. Se há algum medo que tenha, é só este. Ficar caído. Mas quando aparece este medo, logo aparece uma mão,... duas mãos,... três mãos,... que Tu me dás para me segurar de pé. Só Tu, Senhor, dás o que é preciso para caminhar, mesmo quando se cai... cai,... cai,... cai,... e não se admite que o buraco parece ser grande. Hoje quero agradecer pelo sorriso que já não vejo e por todos aqueles que continuo a ver e me fazem levantar e não ter medo de olhar a vida.