quinta-feira, agosto 12, 2021

sentir o pulsar da vida (a)


Já há algum tempo que não parava durante tanto tempo para sentir o pulsar da vida. A vida tem destas coisas: corre-se tanto, quer fazer-se tanto, acha-se que tudo pode acabar de um momento para o outro, que se pode acabar por deixar de sentir. 

Hoje estou a sentir o calor do meio-dia. Queixa-se quando há calor e quando há frio. Eu neste momento não me queixo de nada, pelo contrário, agradeço esta sombra onde estou sentado a sentir o calor do meio-dia. É grande o calor. Mas também é grande o sentir do calor: na brisa quente que o traz às pálpebras, à gota de suor que escorre pelas costas, aos pés que pisam as pinhas que vão caindo... Nunca imaginei que poderia sentir assim o calor. Dos meus recentes 40 anos, sinto que este calor me tornou a dar o arrepio na espinha que ficou perdido no tempo, por correr tanto e ter deixado de sentir o pulsar da vida. E o cheiro do calor? Incrível, pois ele também se cheira. Dá uma falta de vontade de respirar, mas é uma experiência da vida pela qual todos passamos. E o vento quente que passa e que me leva a querer sair do sítio onde estou e voltar para a comodidade do ar condicionado do carro? Extraordinário, porque quero permanecer aqui mais um pouco a sentir o calor do meio-dia.

carta (z)

 



Muitos suspiros se dão, para sentir a angústia a passar,... mas ela não se vai embora. Teima em ficar. Num abismo que existe e que não se vê o fim, é onde por vezes se vive, aceitando a vida tal qual como ela é, e com sonhos, vontades e desejos de que tudo mude e seja a Tua vontade aquela que prevaleça. Mas é difícil saber qual é a Tua vontade... às vezes parece-me que sei, que a descobri, que a estou a fazer, mas de repente parece que não e tudo vem numa maré de contrariedades e maldades que em nada se conjugam com o Amor e o Perdão que Tu nos ensinas, Senhor. Por isso fico a pensar... a pensar... a pensar... qual é a Tua vontade? Por vezes paro (não tantas vezes como deveria), mas paro diante de Ti para estar só contigo a falar (mesmo que às vezes seja um monólogo da minha parte). Falo, falamos, surgem horizontes e caminhos. Deixo-me levar por eles. De repente os caminhos que parecem certos são errados,... em vez de planaltos e montanhas só se sente o abismo,... em vez de abraços sentem-se arames farpados em redor do coração,... e fica sempre a questão: onde está o horizonte lindo e maravilhoso da vida que se revela aos olhos? E aqui fico aflito (até invoco o Sr dos Aflitos) e olho para Ti na cruz a pensar que me podias aliviar um pouco o peso da minha cruz,... mas também penso que na Tua Cruz, e no peso com que Te carrego e por isso cá vou arrastando a minha cruz! Claro que queria ter o olhar que tive outrora de ver tudo com mais clareza, amizade e fraternidade, mas agora está tudo ainda muito cinzento, vendo só o nevoeiro sem ter a certeza se ele alguma vez vai levantar para ver o sol e as estrelas. 

Por tudo isto, Senhor, só aos Teus pés me coloco para que seja a Tua vontade e não a minha, mas também para que me dês a força para saber aceitar a Tua vontade, por mais aflição que ela me traga. 

Aos Teus pés me coloco para continuar a aceitar a cruz e te confiar as minhas angústias, preocupações e tristezas, na certeza que só Tu as podes converter em alegria e luz. 

Aos Teus pés me coloco para te entregar as pessoas, pois são elas a razão do ministério que Tu me deste. Entrego-as para cuidar delas e saber sempre discernir o melhor caminho para ser Teu pastor e as conduzir a Ti. 

Aos Teus pés me colco, Senhor, para pedir perdão pelas minhas imperfeições,... quedas,... pecados,... e a todos peço o mesmo, tal como rezamos na missa a confissão: "confesso a Deus Todo-Poderoso e a vós irmãos que pequei muitas vezes..." 

Rezo-Te a Ti Senhor,... Rezem por mim que eu continuarei sempre a rezar por todos vós.